
Tinha bebido e fumado muito. Lido bastante. Tinha se destacado por seus textos e algumas de suas milhões de habilidades . Mas não era feliz. Nunca fora, se indagava ao ver qualquer simulacro de felicidade em sua vida. Enxergava-se como uma pessoa difícil de se lidar, confusa para ser entendida, áspera para se relacionar e fria para se conviver. Machucava aos outros sem ver, mas estava acostumado a isso. Afinal, moldara tal habilidade por longos anos. Tinha a arte da solidão praticamente domada, apesar de se recorrer à sociedade em (poucos) momentos de crise. Conheceu a verdadeira face da Saudade - o dos olhos puxados, concluira. Desejou conhecer a face da Morte. Desejou, também, sumir, desaparecer, começar tudo do zero, assim como alguém que perde a memória consegue.
Estamparam nos jornais, inclusive, tal fato: morre para o passado e para o futuro, escorre juntamente com a vida para o presente: deixa o ano velho e se dá ao novo: chegava ao fim de mais um ano. Chegava ao fim de mais um ano. E tinha uma certeza: tudo era tão incerto quanto sua primordial caminhada, há tantos anos já. E desejou novamente conhecer aquela face de outrora.
Desejou mais encontros com a Saudade e o fruto que os que perdem a memória recebem. Quem conhecer a árvore que oferece tais frutos ou então alguém que tenha sementes, avisem-na. Avisem-na, também, se encontrarem quem arme encontros com a Saudade e com a Morte: pode ser útil.
Para ela, claro.
Um comentário:
Gata... descomplica e abre o portão, eu to tocando e você não vem!
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