sábado, 27 de fevereiro de 2010

rocha .


Eu já passei por tempestades, mar revolto, terremotos e até tsunamis. Mas sempre estive fincada na rocha.


Já vi tubarões serem domados, leões serem calados e até águias medonhas terem as asas aparadas. Mas sempre estive firme e livre da minha gaiola.


Já chorei de desespero, já me senti desolada, desamparada e até vulnerável. Mas tudo passou quando eu percebi que eu nunca estarei sozinha. E tenho a mim mesma .


Já passaram por aqui grandes reis e rainhas. Monarcas com suas mais bizarras artes de guerra. Sobrevivi a todas elas, mas cada uma me deixou um ferimento .

Já vi os tiranos descerem a guilhotina em pescoços afoitos e até em alguns inocentes. Sempre consegui preservar minha cabeça junto ao corpo.


Já vi sangue de inocente rolar por caprichos da nobreza. Sempre fiquei da minha cela a velar pelos que se foram e a rogar por mais um dia.


Foi aí que eu percebi: quando estamos na beira do precipício é que percebemos o valor do purgatório, quando se tem como destino apenas o inferno.

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