É uma missão complicada a de equilibrar-se a todo instante em uma corda bamba sem ter onde segura-se, a não ser na linha tênue que separa a minha alegria extrema e a saudade que vem depois. É como se tentasse não deixar cair nenhuma das bolas que o menino equilibrista insiste em manter no ar. Não basta concentração, olhar fixo e habilidade, é preciso mais que isso para arrascar os mais preciosos aplausos e ver essa coisa boa de dever cumprido fazer parte do dia comum da semana comum de um ano qualquer.
Mas a verdade é que não importa se chove ou se faz sol, meu olhar ainda é que eu preciso para manter a coluna ereta, os olhos fixos no objetivo e pés fixos na corda que vai me levar exatamente onde quero chegar. Ou talvez, eu nem queira chegar a lugar algum e o destino simplesmente agarre minha mão e me leve para o lugar onde eu preciso estar. É uma questão de deixar que as coisas aconteçam ao seu tempo. E ter a que, pra mim, é mais dificil das virtudes: paciência.
Um comentário:
pedir paciência para quem quer se afogar na singularidade de cada momento em um plano aonde o tempo é imensurável, simplesmente soa como uma ofensa, pedir para acalmar quem grita pelo fim do limite hostil e soa como um insulto buscar paciência pra quem buscou arrancar suspiros de corpos com as armaduras mais pesadas.
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