
Gostaria de agradecer a todas as pessoas, animais e coisas que possibilitaram que hoje eu completasse vinte e um anos de vida. Todos os médicos que não esqueceram seus bisturis dentro de mim. Aranhas, escorpiões e cobras que não me picaram. Motoristas que me viram e freiaram. Todos os cachorros que só cheiraram, mas não morderam. Todas as praias em que, quando eu estava me afogando, ficaram mais rasas, possibilitando que eu desse impulso com os pés no chão. Aviões que não caíram. Coração que não parou. Raios que pararam nos pára-raios. Venenos de rato que não comi quando criança. Todas as bóias e coletes salva-vidas. Todas as joelheiras e cotoveleiras. Tampas de boeiros que estavam firmes. Assassinos que não cruzaram o meu caminho. Bois que não me contaminaram com febre aftosa. Armas descarregadas, muros firmes, árvores fortes, imóveis bem construídos. Agradeço a tudo isso porque nos dias de hoje muito mais coisas estão aí para nos matar do que para nos fazer viver, e, no meu caso ... 'vinte e um invernos ainda não foram suficientes'.
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