segunda-feira, 19 de outubro de 2009

AMOR NA ERA DIGITAL: VOCÊ TEM GOSTO DE QUÊ?


Ah , não sei não . O tempo do relógio não dá mais conta desse mundo. Você acorda e está lá: a cada dia uma nova invenção tecnológica é criada para enganar o deus Chronos. Olhamos pro lado e os bluetooths, wirelles, infra-vermelhos e conexões via satélite invadem nossas vidas e nos conectam com o planeta Terra num piscar de olhos. Palavras navegam por terra, água e ar e aparecem em tempo real para diminuir a distância e a solidão. Você liga o computador e: - Olá! Seu sorriso é visto do outro lado por uma webcam que te responde via Skype: - Bom dia! E assim seguimos: enviamos e-mails, falamos bobagens pelo orkut, lemos blogs, usamos o Google para tudo o que não sabemos, compomos, namoramos e trabalhamos pelo msn, montamos fotologs, compramos livros e Havaianas on-line, mandamos mensagens com fotos para o celular de amigas distantes, dizemos "eu te amo" com a velocidade da luz. É, parece que, de repente, tudo que parecia estar longe, ficou mais perto. E confesso. Sou contraditória. Sou metade hippie, metade filha da família Jetsons (lembra daquele desenho onde a faxineira era robô?). Pois é. Quer me entender? Nem tente. Quero pé na grama e muita tecnologia! Já me vi perguntando a mesma frase várias vezes e acho que virou mania: moço, tem entrada pra USB? Resposta positiva? Alivio!! Minha vida está salva por um décimo de segundo! Vamos respeitar: existem futilidades tecnológicas deliciosas e quem disser que não, nunca sentiu o prazer inenarrável de andar pelas ruas de ipod como se fizesse parte de um clipe imaginário. Ou nunca pôde viajar pro meio do nada com um laptop, sabendo que poderá conectar-se à internet (mesmo que lenta) e mandar seu trabalho em tempo hábil, enquanto enterra os próprios pés na areia. Mas... TRIM! Nova mensagem. Leio e me perco. O que será que me fez escrever esse texto cheio de bytes e palavras que se auto-corrigem? Hum... O coração avisa: é o vazio. Mesmo com essa rápida conexão que liga o mundo, eu nunca senti as pessoas tão desconectadas. Não só de si mesmas. Mas dos outros. Parece que a carência avança na mesma rapidez que a tecnologia progride. Muitas vezes decidimos manter relacionamentos com pessoas que juramos conhecer muito (mas que moram em outro hemisfério) sem ao menos sorrir pra aquele vizinho interessante que esbarrou em você. Eu não sou contra relações à distância, muito menos virtuais, cada um sabe de si e ninguém nunca vai entender o amor (graças a Deus!). Eu também não sou antropóloga, socióloga, psicóloga, nem perita em assuntos do saber. Eu apenas sinto. E o que sinto é que o mundo anda carente. Carente do real. Sem poses, frases copiadas e fotos corrigidas em photoshops Vem cá: a quem a gente quer enganar? Do quê a gente quer se esconder? Muito melhor usar a tecnologia a nosso favor e tomar apenas cuidado para não usa-la como barreira para camuflar nossos medos e defeitos. Afinal - vamos ser sinceros!- cheiro é cheiro, beijo é gosto, pele é química e eu não vou saber se te quero porque sua imagem de 480 pixels me deixou de boca aberta. Ah, não mesmo! Eu quero te provar. Literalmente. Palavra por palavra. Beijo por beijo. Frase por frase. Ao vivo e a cores. porque eu , sinceramente , acordo todos os dias esperando pela invenção do teletransporte .

(Sorte nossa que a tecnologia conseguiu plugar nosso coração).

3 comentários:

Unknown disse...

meuuuuuu.. mto bomm o texto... e qr saber... penso igual a vc... acho q as coisas caminham bem por ai, e eu tbm nao vejo a hora de inventarem um teletransporte.. hahuihauihauiha
mas assim caminha a humanidade...

cuide-se

beijos!

Ti Rondini disse...

Olá Carol, muito bem escrito seu post, é impressionante como a tecnologia nos deixou mais próximos daqueles que estão distantes e muito mais distante daqueles que estão próximos da gente...
Olha só, não sei se você já viu esse comercial, ele ganhou Cannes esse ano, mostra como a tecnologia "aproxima" as pessoas e como devemos "dividir" nossas vidas:
http://www.youtube.com/watch?v=VQ3d3KigPQM
Ah, sou irmão do Gabriel, não tenho a mínima idéia de como você o conheceu, você não tem cara de quem vai à micareta e pelo que eu vi frequenta a Augusta!!! Bom saber que tem vida inteligente no orkut do meu irmão...
Bjuss

vicente cortello disse...

Parece que a carência avança na mesma rapidez que a tecnologia progride.

precisava nem ter escrito mais nada.